terça-feira, 15 de março de 2011

Das Negativas

            Amigos, a situação não está boa. E quando digo que não está boa, não estou me referindo à aproximação do final do mundo previsto para 2012! E sim para os problemas que já estão entre nós, agora, em 2011 mesmo! A verdade é que a insurreição líbia não seguiu o molde pacifista da revolta ocorrida no Egito. Tanto da parte do governo, quanto da parte dos rebeldes não houve entendimento, e ambos perdieron la ternura. O cenário de guerra civil foi instaurado no país, e, aliás, não posso deixar de observar que as forças presentes nessa guerra estão muito equilibradas. Enquanto o governo de Gaddafi utiliza aviões de combate Su-24 para atacar as cidades tomadas pelos rebeldes, os últimos estão preenchendo as fileiras de seu exército com civis que receberam um detalhado treinamento de três horas para a batalha. Obviamente, esse “equilíbrio” está se transferindo para os resultados dos enfrentamentos: os rebeldes estão perdendo espaço nos territórios conquistados no leste da Líbia, enquanto que o exército leal a Gaddafi está consolidando as suas posições no oeste. Mas os rebeldes não estão sozinhos nessa empreitada, ao menos, aparentemente. Isso porque parte do exército líbio desertou e declarou estar ao lado dos insurgentes durante os confrontos. No entanto, pouco ou quase nenhuma ação dessa parcela do exército foi constatada até o momento. Alguns de seus comandantes declaram que existe um temor que Gaddafi retome totalmente o poder e puna-os de uma maneira rígida por terem se rebelado e colaborado com os civis; já outros alegam que o confronto de forças militares de poderio semelhante levará a uma destruição total daquele país, fazendo com que este retroceda algumas décadas em seu desenvolvimento. Em suma, o resultado dessa filosofia “nós ajudamos, mas nem tanto” dos desertores não colaborará muito para a vitória dos rebeldes. Já no cenário internacional, a ajuda também é incerta. A verdade é que Gaddafi ficou um pouco triste pelo fato da França ter reconhecido oficialmente o conselho rebelde e, também, com informações de que Nicolas Sarközy sugerirá ataques aéreos a alvos específicos na Líbia. No entanto, novamente, não foi trazida nenhuma solução definitiva de ajuda aos insurgentes. Aliás, essa situação de inferioridade dos civis me lembra uma história que ouvi há muito tempo atrás: no auge do império assírio, o rei Senaquerib decidiu invadir um reino no Oriente Próximo, a oeste do que hoje é a Jordânia. Para isso o rei preparou uma guarnição surpreendente de cento e oitenta e cinco mil homens, com o objetivo de dizimar a população ali presente. Misteriosamente, na noite em que esse exército acampou diante daquele reino que eles atacariam no dia seguinte, todos morreram, em circunstâncias inexplicáveis... Pelo visto, será necessário um “milagre” dessa ordem para que os rebeldes prevaleçam, caso permaneçam as condições atuais.
            Sim, amigos! O boletim da guerra não é nada animador, principalmente quando pensamos que as conseqüências de um conflito invariavelmente ultrapassam as fronteiras de onde eles estão ocorrendo. E dessa vez não foi diferente. Com a guerra na Líbia, boa parte de sua produção de petróleo foi paralisada, o que imediatamente refletiu em aumentos no preço do barril nos mercados de futuros ao redor do mundo. Com isso, meus nobres leitores perguntarão: “Será que é possível termos um novo choque do petróleo em 2011?”. Digo-lhes: segundo a turma do “deixa disso” de Wall Street, não. Isso porque, segundo eles, para termos uma crise do petróleo semelhante àquela que ocorreu nos anos 70, o preço do barril teria que ultrapassar os US$ 200, o que é improvável no momento. Outra: essa crise na Líbia reduziu em apenas 1% a produção mundial de petróleo, e a Arábia Saudita, maior produtora do mundo, já se comprometeu em suprir a oferta deprimida da Líbia. Reconfortantes essas palavras! Não, leitor?! Definitivamente, não precisamos nos preocupar! No entanto, vimos em 2008 que o preço do petróleo superou os US$ 130, e muitas publicações reconhecidas já falavam que o preço do barril poderia ultrapassar os US$ 200; e estamos dependendo da oferta da Arábia Saudita cada vez mais para suprir a demanda de petróleo, um país que possui os mesmos moldes políticos dos outros que estão em crise no momento; e temos que considerar que o preço do petróleo nos últimos anos está em uma escala ascendente, o que costuma se intensificar em momentos de crise. Ou seja, definitivamente, precisamos nos preocupar!
            E tendo em vista essas mazelas que assolam o mundo, decidi voltar às terras tupiniquins para encontrar descanso... No entanto, quando abri o caderno “nacional” do jornal, deparei-me com Jaqueline Roriz (PMN-DF)! Não era esse tipo de descanso que eu estava procurando! Mais um político que foi filmado recebendo dinheiro em circunstâncias suspeitas. No entanto, a deputada declarou que o dinheiro que ela estava recebendo era para abastecer um caixa dois de sua campanha eleitoral! Sim, leitores! A situação atual está tão complicada, que as pessoas nem se preocupam mais em elaborar defesas malucas para os seus delitos, mas apenas afirmam que estavam cometendo crimes “menores” em relação ao que estão sendo acusadas! Nessa história, também achei engraçado a veemência do presidente da câmara dos deputados, Marco Maia (PT-RS), em dizer que as imagens obtidas são “fortes” e “contundentes”. Curioso! Vocês viram alguém do PT na época do mensalão “original” dizer que as provas do caso eram contundentes? Acho que não eram... Bom, ainda bem que todos os envolvidos no escândalo daquela época estão presos! Certo?!
            Mas, entre essas negativas, encontrei uma notícia que pode ser considerada boa. Ainda nessa semana o presidente norte-americano desembarcará no Brasil, e a expectativa é que seja iniciada uma recuperação dos laços diplomáticos entre os dois países. É justo! Uma potência como os Estados Unidos não pode abrir mão de ter aliança com os líderes regionais ao redor do mundo; já o Brasil não pode prescindir o apoio americano, tendo em vista o desenvolvimento político e econômico que ele visa alcançar. Mas claro, tendo em vista os tempos idos, não podemos celebrar qualquer tipo de avanço nesse sentido in advance. Temos que esperar a conclusão dos fatos... Por enquanto apenas nos resta engrossar o coro daquele antigo filósofo do século XIX, que bradava nos seus últimos dias, de velhice e demência, que Pangloss, o caluniado Pangloss, não era tão tolo quanto o supôs Voltaire.