sexta-feira, 15 de abril de 2011

It’s the example of Brazil. It’s the example of Brazil.

             Chegaram os aclamados cem primeiros dias do governo Dilma Rousseff. E uma série de críticas voltadas ao mesmo despontou nos jornais, revistas e sites. Todo o ser que respira ousou talhar comentários sobre os efêmeros primeiros dias da nova presidente. E claro, eu não poderia ficar fora desse movimento. Aliás, sou uma pessoa que gosta de fazer o comentário do comentário. Não sei bem qual o motivo disso, mas é possível encontrar fatos engraçados a partir dessa análise! Por exemplo, uma característica apontada por jornais como uma das principais virtudes da nova presidente é o fato de ela não fazer discursos diários criticando as elites e dando uma importância desproporcional a questões triviais, diferentemente de seu antecessor! Ou seja, o fato de ela trabalhar em silêncio, foi considerado como um dos incríveis avanços do novo governo! Realmente, tenho que me retratar sobre as críticas que fiz ao governo Dilma nos últimos artigos... A nova presidente é excepcional! Mas não podemos negar que o novo governo está com ótimas intenções. Todo dia se observa declarações de ministros e presidentes de estatais dizendo que “a valorização do real é um tema central do governo”, ou, “a inflação não extrapolará o limite da meta oficial”. Quanto à questão do dólar, isso já virou uma espécie de “resgate do soldado Ryan”, pois, por mais que o governo tenha mobilizado medidas para conter a desvalorização do dólar, este não “quer” voltar ao patamar dos anos anteriores. Claro, o que os meus nobres leitores vão observar sobre essa questão é que falta um pouco de coragem para adotarmos políticas para conviver com um dólar desvalorizado, ou, em sentido contrário, coragem para tomar medidas mais drásticas para valorizar o dólar; e eu, particularmente, concordo. Já no caso da inflação, vejo que o governo sofre de uma espécie de transtorno bipolar. Isso porque em um dia é anunciado cortes bilionários no orçamento. No entanto, no outro dia, escuta-se que o tesouro fará repasses bilionários ao BNDES. Não sei, essa “nova” política me deixa um pouco confuso. Qual é o real objetivo do governo? Nesse ponto, meus escassos leitores farão mais uma sábia pergunta: “Não é o próprio governo o maior consumidor do país? Sendo assim, não seria a diminuição dos gastos governamentais o maior instrumento para conter a inflação?”. Sábia pergunta leitor, sábia pergunta! Mas às vezes acho que o planalto pensa que o problema da inflação pode ser resolvido com uma espécie de condicionamento clássico, como aqueles realizados por Pavlov com os cachorros. Nessa linha de raciocínio se o governo apenas “fingir” que vai gastar menos, os preços diminuirão automaticamente, como num passe de mágica!
            Outro ponto interessante que vi nesse começo de governo foi a continuidade da obsessão por obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Realmente, não entendo o porquê desse assento não ter sido concedido ao Brasil ainda. Temos um poderio militar semelhante ao dos outros membros permanentes, certo? Logo, se, como membro permanente, precisássemos cooperar militarmente com uma ação de proteção de civis sancionada pela ONU, poderíamos colaborar tranquilamente em situações desse tipo de qualquer magnitude, certo? Não sei, acho que o Brasil precisava nesse caso de um bom amigo que chegasse a ele e falasse: “Meu amigo, se preocupa primeiro em se desenvolver economicamente, proteger suas próprias fronteiras, consolidar uma liderança regional, depois você se preocupa com isso!”. Mas, nesse ponto, um nervoso leitor me dirá: “Você não quer que o Brasil tenha uma projeção global?”. Quero! Então, vejamos: O Japão possui uma projeção global; é um país rico, participa ativamente em cadeias importantes de supply chain de produtos de alta tecnologia e é um país altamente inovador. Eles possuem um assento permanente na ONU? Não. A Alemanha também tem todas as qualidades mencionadas em relação ao Japão, além de até dois ou três anos atrás ter sido a maior exportadora do mundo durante algum tempo. Eles possuem um assento permanente na ONU? Não. Saindo dessa faixa, temos ainda a Coréia do Sul, um país que não tem a projeção dos citados anteriormente, mas até onde eu sei, as pessoas vivem muito bem por lá. Novamente, possuem um assento na ONU? Não. O que é preciso entender no cenário internacional de hoje, é que o poderio militar tem perdido sua relevância em diversos assuntos, enquanto que o poderio comercial e financeiro dos países têm se consolidado como as principais maneiras de se projetar globalmente.
            E por fim, não poderia deixar de citar a queda de Roger Agnelli da presidência da Vale. Não leitor, você não migrou para o blog de notícias corporativas, ainda estamos falando de política! Isso porque, ao que tudo indica, o governo foi o mentor dessa substituição. Segundo uma coluna do Elio Gaspari que li esses dias, agora a Vale é uma empresa neoestatal (empresa privada que atende aos interesses do governo)! Sim leitor, não se desespere, mas também não entendo qual pode ser o problema com uma empresa que lucrou US$ 17 bilhões no ano passado (e pagou muitos impostos)! E ainda mais: qual é a relação que o governo possui com esse suposto problema, se a Vale é uma empresa privada? Sim, o Brasil foi um exemplo por superar a ditadura militar, reingressar na democracia e iniciar seu desenvolvimento econômico. No entanto, para darmos o próximo passo precisamos ter os pés no chão. Mas muitas vezes vejo que os agentes governamentais parecem estar abstraídos da realidade, como Hamlet, que perseguiu um ideário duvidoso enquanto seu país estava sendo invadido.

terça-feira, 15 de março de 2011

Das Negativas

            Amigos, a situação não está boa. E quando digo que não está boa, não estou me referindo à aproximação do final do mundo previsto para 2012! E sim para os problemas que já estão entre nós, agora, em 2011 mesmo! A verdade é que a insurreição líbia não seguiu o molde pacifista da revolta ocorrida no Egito. Tanto da parte do governo, quanto da parte dos rebeldes não houve entendimento, e ambos perdieron la ternura. O cenário de guerra civil foi instaurado no país, e, aliás, não posso deixar de observar que as forças presentes nessa guerra estão muito equilibradas. Enquanto o governo de Gaddafi utiliza aviões de combate Su-24 para atacar as cidades tomadas pelos rebeldes, os últimos estão preenchendo as fileiras de seu exército com civis que receberam um detalhado treinamento de três horas para a batalha. Obviamente, esse “equilíbrio” está se transferindo para os resultados dos enfrentamentos: os rebeldes estão perdendo espaço nos territórios conquistados no leste da Líbia, enquanto que o exército leal a Gaddafi está consolidando as suas posições no oeste. Mas os rebeldes não estão sozinhos nessa empreitada, ao menos, aparentemente. Isso porque parte do exército líbio desertou e declarou estar ao lado dos insurgentes durante os confrontos. No entanto, pouco ou quase nenhuma ação dessa parcela do exército foi constatada até o momento. Alguns de seus comandantes declaram que existe um temor que Gaddafi retome totalmente o poder e puna-os de uma maneira rígida por terem se rebelado e colaborado com os civis; já outros alegam que o confronto de forças militares de poderio semelhante levará a uma destruição total daquele país, fazendo com que este retroceda algumas décadas em seu desenvolvimento. Em suma, o resultado dessa filosofia “nós ajudamos, mas nem tanto” dos desertores não colaborará muito para a vitória dos rebeldes. Já no cenário internacional, a ajuda também é incerta. A verdade é que Gaddafi ficou um pouco triste pelo fato da França ter reconhecido oficialmente o conselho rebelde e, também, com informações de que Nicolas Sarközy sugerirá ataques aéreos a alvos específicos na Líbia. No entanto, novamente, não foi trazida nenhuma solução definitiva de ajuda aos insurgentes. Aliás, essa situação de inferioridade dos civis me lembra uma história que ouvi há muito tempo atrás: no auge do império assírio, o rei Senaquerib decidiu invadir um reino no Oriente Próximo, a oeste do que hoje é a Jordânia. Para isso o rei preparou uma guarnição surpreendente de cento e oitenta e cinco mil homens, com o objetivo de dizimar a população ali presente. Misteriosamente, na noite em que esse exército acampou diante daquele reino que eles atacariam no dia seguinte, todos morreram, em circunstâncias inexplicáveis... Pelo visto, será necessário um “milagre” dessa ordem para que os rebeldes prevaleçam, caso permaneçam as condições atuais.
            Sim, amigos! O boletim da guerra não é nada animador, principalmente quando pensamos que as conseqüências de um conflito invariavelmente ultrapassam as fronteiras de onde eles estão ocorrendo. E dessa vez não foi diferente. Com a guerra na Líbia, boa parte de sua produção de petróleo foi paralisada, o que imediatamente refletiu em aumentos no preço do barril nos mercados de futuros ao redor do mundo. Com isso, meus nobres leitores perguntarão: “Será que é possível termos um novo choque do petróleo em 2011?”. Digo-lhes: segundo a turma do “deixa disso” de Wall Street, não. Isso porque, segundo eles, para termos uma crise do petróleo semelhante àquela que ocorreu nos anos 70, o preço do barril teria que ultrapassar os US$ 200, o que é improvável no momento. Outra: essa crise na Líbia reduziu em apenas 1% a produção mundial de petróleo, e a Arábia Saudita, maior produtora do mundo, já se comprometeu em suprir a oferta deprimida da Líbia. Reconfortantes essas palavras! Não, leitor?! Definitivamente, não precisamos nos preocupar! No entanto, vimos em 2008 que o preço do petróleo superou os US$ 130, e muitas publicações reconhecidas já falavam que o preço do barril poderia ultrapassar os US$ 200; e estamos dependendo da oferta da Arábia Saudita cada vez mais para suprir a demanda de petróleo, um país que possui os mesmos moldes políticos dos outros que estão em crise no momento; e temos que considerar que o preço do petróleo nos últimos anos está em uma escala ascendente, o que costuma se intensificar em momentos de crise. Ou seja, definitivamente, precisamos nos preocupar!
            E tendo em vista essas mazelas que assolam o mundo, decidi voltar às terras tupiniquins para encontrar descanso... No entanto, quando abri o caderno “nacional” do jornal, deparei-me com Jaqueline Roriz (PMN-DF)! Não era esse tipo de descanso que eu estava procurando! Mais um político que foi filmado recebendo dinheiro em circunstâncias suspeitas. No entanto, a deputada declarou que o dinheiro que ela estava recebendo era para abastecer um caixa dois de sua campanha eleitoral! Sim, leitores! A situação atual está tão complicada, que as pessoas nem se preocupam mais em elaborar defesas malucas para os seus delitos, mas apenas afirmam que estavam cometendo crimes “menores” em relação ao que estão sendo acusadas! Nessa história, também achei engraçado a veemência do presidente da câmara dos deputados, Marco Maia (PT-RS), em dizer que as imagens obtidas são “fortes” e “contundentes”. Curioso! Vocês viram alguém do PT na época do mensalão “original” dizer que as provas do caso eram contundentes? Acho que não eram... Bom, ainda bem que todos os envolvidos no escândalo daquela época estão presos! Certo?!
            Mas, entre essas negativas, encontrei uma notícia que pode ser considerada boa. Ainda nessa semana o presidente norte-americano desembarcará no Brasil, e a expectativa é que seja iniciada uma recuperação dos laços diplomáticos entre os dois países. É justo! Uma potência como os Estados Unidos não pode abrir mão de ter aliança com os líderes regionais ao redor do mundo; já o Brasil não pode prescindir o apoio americano, tendo em vista o desenvolvimento político e econômico que ele visa alcançar. Mas claro, tendo em vista os tempos idos, não podemos celebrar qualquer tipo de avanço nesse sentido in advance. Temos que esperar a conclusão dos fatos... Por enquanto apenas nos resta engrossar o coro daquele antigo filósofo do século XIX, que bradava nos seus últimos dias, de velhice e demência, que Pangloss, o caluniado Pangloss, não era tão tolo quanto o supôs Voltaire.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

I saw the world...

...And I didn’t like what I saw... Sim leitores! No mês passado diversas cidades do país, majoritariamente nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, sofreram com uma versão tupiniquim do dilúvio. Sendo que essa versão, diferentemente daquela descrita por Moisés, não envolveu a ira de Deus sobre a população mundial (ao menos Ele não reivindicou a autoria desses atos até agora). Na verdade a nossa versão do dilúvio consiste em dois fatores principais, bem simples de serem entendidos. O primeiro está relacionado ao volume anormal de chuvas que sobrevieram às regiões atingidas durante o período das inundações. Claro, como todos sabem, esses fenômenos metereológicos são cíclicos na natureza, ou seja, há momentos em que eles se intensificam acima da média histórica e, em outros momentos, são mais brandos que a média histórica, repetindo o mesmo movimento através dos séculos. Em outras palavras, a imprevisibilidade desses fenômenos assumida pelos órgãos públicos, não é tão imprevisível assim. Já o outro fator que possui uma relação causal com o nosso dilúvio é aquele que os jornais, revistas, sites de notícias, blogs e “proseadores” de boteco gostam de falar: o descaso da administração pública. Sim! Adoramos falar mal dos governantes e governos! Se Carl Jung estivesse por aí esses dias, ele com certeza diria que nossos antepassados tiveram muitos motivos para criticar os governantes, e por essa razão nós mantemos essa prática. Claro, não posso negar que muitos políticos e homens públicos de hoje corroboram para que esse particular do inconsciente coletivo permaneça por toda a eternidade! Mas voltando à questão das inundações, vejo que existe uma falta de planejamento dos órgãos responsáveis relacionado ao preparo para enfrentar esse tipo de “anormalidade” das chuvas, além do que, em muitos lugares nunca existiu uma política clara de zoneamento capaz de identificar áreas suscetíveis a esse tipo de catástrofe.
Mas depois de ter citado esses dois fatores que, em minha opinião, são os principais colaboradores para a tragédia que vimos, os meus poucos leitores perguntarão: “Mas o que você disse até aqui, nobre escritor, que nós ainda não sabíamos sobre essa situação?”. Respondo-lhes: Tenho que admitir que cheguei atrasado a essa notícia; depois que “inventaram” esse negócio de Agenda Setting, não temos mais sossego! Mas, de fato, ainda tenho uma constatação “nova” e interessante sobre as inundações. Na verdade, uma constatação relacionada a como diversos blogs através da internet divulgaram essas notícias. Percebi que sempre que a notícia de inundação era relacionada a alguma cidade paulista, os termos “descaso do governo”, “incompetência dos políticos que estão há dezesseis anos no poder” e algumas outras coisas do tipo se repetiam de uma maneira enfática nos artigos. Já quando a notícia era relacionada a alguma cidade carioca, nos mesmos blogs se observavam os termos “tragédia natural”, “volume de chuvas muito acima do esperado”, “fenômenos climáticos implacáveis” e mais argumentações da mesma ordem. Com isso, eu me pergunto: Será que a natureza só “ataca” os Estados governados pela aliança PT-PMDB? E de outro lado, o que os governantes do PSDB fizeram para que a “ira” da natureza não vingasse sobre as suas cidades? Será que existe algum culto pagão promovido pelos tucanos aos deuses da natureza? De fato, o que faltou por parte de diversos meios de comunicação foi uma consternação verdadeira pelas vidas perdidas com os desastres, independentemente em que Estado aquelas ocorreram.
            Aliás, essa questão de partidos políticos me lembra que um amigo esta semana me perguntou se eu estava contente com a situação política atual no âmbito federal. Sinto-me bem! Tão bem quanto um republicano nos Estados Unidos se sentia bem na época de Franklin D. Roosevelt! Mas na semana passada, vi algo que gostei nesse sentido, o governo federal fará um corte de R$ 50 bilhões no orçamento de 2011. Sim leitores! E esse corte será nominalmente maior do que todos os cortes no orçamento realizados na era Lula! Sim, adoro quando as pessoas são imersas na realidade! Os gastos estão elevados, a inflação está subindo, a dívida pública aumentando, a fumaça começou a subir, disparou o alarme central; as pessoas saem correndo para apagar o fogo! Não importa o partido político, as ideologias, o antigo chefe, nada! Mas sobre esse assunto do corte, terei uma opinião formada apenas no final do ano. Isso porque, como vi escrito em um jornal outro dia, muitas vezes o nosso governo lembra aquele Dr. Strangelove do filme Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb. Assim como o Dr. Strangelove tinha um “tique nervoso” em seu braço mecânico que o levava a fazer de vez em quando a saudação nazista involuntariamente, o nosso governo às vezes tem alguns “tiques nervosos” de extrema esquerda que o levam a tomar atitudes estranhas no decorrer da estrada retilínea que ele percorre (ao menos foi assim na era Lula). Em suma, temos que observar se essa contenção de gastos não será afrouxada no decorrer do ano.
              Já para concluir esse artigo, não poderia deixar de citar a queda de Mubarak no Egito e a insurreição popular que está ocorrendo no Oriente Médio. De fato, conforme eu li em um editorial do El País esta semana, e ao contrário de uma velha fórmula absurda, não é “a biografia dos grandes homens que fazem a história do mundo”. No entanto, esse mesmo artigo repreendia duramente o ocidente por não ter apoiado os movimentos populares desde o início, com o receio de que as manifestações estivessem sendo sustentadas por algum grupo islâmico radical. O editorial citava que um povo, uma vez liberto de um tirano, não aceitará se submeter a outro. Não concordo com esse particular; nem eu, nem os franceses do início do século XIX! O problema desses editoriais de jornais, por melhor que eles sejam, é que eles raciocinam de maneira linear. Porém, a verdade sobre essa situação é que o mundo não terá que aprender a lidar com um Egito democrático ou autoritário, mas sim, com um Egito diferente em relação aos últimos trinta anos.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sobre turistas, carros malucos e a Dilmonomics

Caros amigos levantem as suas mãos aos céus e agradeçam! Sim! Finalmente o nosso país terá uma administração de cunho gerencial no âmbito federal. Ao menos é o que indicam várias referências relacionadas à nova presidente Dilma Rousseff. Uma delas, inclusive, vinda da diplomacia norte-americana, que segundo documentos divulgados pelo site WikiLeaks, aponta a nossa presidente como extremamente competente. Ah... A competência... Conjunto de aptidões que uma determinada pessoa possui para executar uma tarefa... Não tenho dúvidas, isso é quase um dom divino. Aliás, hoje o “dom” para se administrar qualquer coisa transcende às questões de “Planejamento, Organização, Execução e Controle” como previam as primeiras diretrizes abordadas por Fayol no estudo da administração. De fato, o administrador ou o líder contemporâneo precisa identificar novas oportunidades e “enxergar além” em diversas questões.
            Aliás, nada como observar as atitudes de um líder para a constatação dos “milagres” gerados pelo exercício de seu dom: como todos sabem a nova presidente nomeou o deputado Pedro Novais (PMDB-MA) para a pasta do turismo. Pouco conheço a sua história, é verdade, mas até onde sei, ele já é deputado há décadas. É advogado, com extensões internacionais em sua formação relacionadas ao Direito Tributário. Além de ter sido deputado, também trilhou a carreira pública como auditor fiscal e foi secretário da fazenda do seu Estado, o Maranhão, por duas ocasiões. Homem de bem esse Pedro Novais! Apesar de nos últimos dias ter sofrido acusações de ter pagado despesas de uma “festa” com verba pública, não quero julgar o mérito dessa questão, pois quem não gosta de se divertir um pouco de vez em quando?! Não é verdade?! Mas voltando à questão da nomeação em si, os meus escassos leitores perguntarão: “Onde estão expressas na carreira deste homem as aptidões para que tenha sido nomeado ministro do turismo?”. Respondo-lhes, leigos leitores, na verdade não está sob a nossa alçada a identificação das verdadeiras virtudes deste homem... Sim! O que é um currículo para expressar, de fato, o que uma pessoa pode fazer? Já a nossa presidente enxergou além nessa questão. Imagino que ela observou o deputado durante o ano eleitoral inteiro, e com o seu olhar perspicaz pôde identificar nele as qualidades necessárias para executar as funções do ministério. Imagino-a nos cafés da manhã do ano passado, olhando para o horizonte e repetindo inúmeras vezes para si mesma: “Este será o meu ministro, este será o meu ministro...”.
            Mas, mudando um pouco de assunto, e voltando-se para as altas rodas do executivo nacional, vi o pronunciamento da ministra do Planejamento Miriam Belchior durante a sua posse. Tenho que admitir que fiquei um pouco consternado com a declaração de que é preciso ter um pé no acelerador e outro no freio... Não sei, esse tipo de metáfora me deixa um pouco confuso. Mas minha alma foi tranqüilizada quando a mesma disse que, na verdade, os gastos públicos têm que ser geridos de maneira eficiente... Sim, leitor! Algumas palavras foram criadas para salvar determinadas pessoas. Sem dúvida, essa foi criada para salvar a ministra! Pois todos sabem que é preciso realizar uma contenção de gastos. Ok. E ao mesmo tempo todos sabem que é preciso investir muito, considerando o estágio do desenvolvimento que o país está. Ok. Como lidar com este impasse? Tornar o gasto eficiente! É um pensamento simples, racional, fluido. Aliás, só me resta uma pergunta a respeito deste assunto: “Quais são os métodos que serão utilizados para tornar o gasto eficiente?”. Revisão do orçamento, novas licitações, enfim... Existem várias maneiras de se executar essa promessa, e muito me interessaria ver um plano estruturado para que isso aconteça, pois somente a metáfora do carro não foi suficiente para me elucidar sobre o assunto (logicamente considerando a minha falta de visão mencionada no parágrafo acima relacionada a determinadas ações dos líderes políticos).
            Falando em gasto público, não sei se vocês viram a identificação, nessa semana, do mais novo sucessor da dinastia de Bragança em plena capital federal... Sim! Guido Mantega! O imperator declarou essa semana que o governo irá VETAR... Sim, VETAR qualquer proposta de salário mínimo por parte do legislativo diferente da proposta do governo... Aliás, temo que essa declaração não tenha reflexo no que foi a monarquia brasileira, e tenha mais pertinência se relacionada à casa dos Valois, ou mesmo à casa dos Bourbons... Inclusive, tratando sobre monarquias e impérios, tenho certeza de que se o governo Dilma fosse comparado ao governo de algum imperador romano, este encontraria similaridades com a época de Constantino, sendo que Lula é o “símbolo” o qual a governante deve seguir para vencer suas guerras!
            Aliás, prendendo-se ainda em gastos e gestão, durante a campanha eleitoral e nos primeiros pronunciamentos de Dilma e dos ministros, foram muito abordados os temas “Controle da Inflação”, “Investimentos em infra-estrutura” e “Estado Forte”. O que eu me pergunto é se esse mix de Ronald Reagan com Hugo Chávez dará certo... De fato, temos que observar.
            Para finalizar esse artigo (tendo em consideração os únicos dois fiéis leitores que me acompanharam até aqui), não poderia deixar de fazer uma citação, ao menos indireta, relacionada ao novo secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho. Ri muito essa semana quando li em um editorial do Estado de S. Paulo que ele é mais lulista do que o próprio Lula! E é verdade! E tendo em vista que eu desejo o melhor para o Brasil, não posso deixar de desejar muita, mas muita sorte à Dilma, pois jogar com o Pelé na reserva, meu amigo, não será uma tarefa fácil!