segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sobre turistas, carros malucos e a Dilmonomics

Caros amigos levantem as suas mãos aos céus e agradeçam! Sim! Finalmente o nosso país terá uma administração de cunho gerencial no âmbito federal. Ao menos é o que indicam várias referências relacionadas à nova presidente Dilma Rousseff. Uma delas, inclusive, vinda da diplomacia norte-americana, que segundo documentos divulgados pelo site WikiLeaks, aponta a nossa presidente como extremamente competente. Ah... A competência... Conjunto de aptidões que uma determinada pessoa possui para executar uma tarefa... Não tenho dúvidas, isso é quase um dom divino. Aliás, hoje o “dom” para se administrar qualquer coisa transcende às questões de “Planejamento, Organização, Execução e Controle” como previam as primeiras diretrizes abordadas por Fayol no estudo da administração. De fato, o administrador ou o líder contemporâneo precisa identificar novas oportunidades e “enxergar além” em diversas questões.
            Aliás, nada como observar as atitudes de um líder para a constatação dos “milagres” gerados pelo exercício de seu dom: como todos sabem a nova presidente nomeou o deputado Pedro Novais (PMDB-MA) para a pasta do turismo. Pouco conheço a sua história, é verdade, mas até onde sei, ele já é deputado há décadas. É advogado, com extensões internacionais em sua formação relacionadas ao Direito Tributário. Além de ter sido deputado, também trilhou a carreira pública como auditor fiscal e foi secretário da fazenda do seu Estado, o Maranhão, por duas ocasiões. Homem de bem esse Pedro Novais! Apesar de nos últimos dias ter sofrido acusações de ter pagado despesas de uma “festa” com verba pública, não quero julgar o mérito dessa questão, pois quem não gosta de se divertir um pouco de vez em quando?! Não é verdade?! Mas voltando à questão da nomeação em si, os meus escassos leitores perguntarão: “Onde estão expressas na carreira deste homem as aptidões para que tenha sido nomeado ministro do turismo?”. Respondo-lhes, leigos leitores, na verdade não está sob a nossa alçada a identificação das verdadeiras virtudes deste homem... Sim! O que é um currículo para expressar, de fato, o que uma pessoa pode fazer? Já a nossa presidente enxergou além nessa questão. Imagino que ela observou o deputado durante o ano eleitoral inteiro, e com o seu olhar perspicaz pôde identificar nele as qualidades necessárias para executar as funções do ministério. Imagino-a nos cafés da manhã do ano passado, olhando para o horizonte e repetindo inúmeras vezes para si mesma: “Este será o meu ministro, este será o meu ministro...”.
            Mas, mudando um pouco de assunto, e voltando-se para as altas rodas do executivo nacional, vi o pronunciamento da ministra do Planejamento Miriam Belchior durante a sua posse. Tenho que admitir que fiquei um pouco consternado com a declaração de que é preciso ter um pé no acelerador e outro no freio... Não sei, esse tipo de metáfora me deixa um pouco confuso. Mas minha alma foi tranqüilizada quando a mesma disse que, na verdade, os gastos públicos têm que ser geridos de maneira eficiente... Sim, leitor! Algumas palavras foram criadas para salvar determinadas pessoas. Sem dúvida, essa foi criada para salvar a ministra! Pois todos sabem que é preciso realizar uma contenção de gastos. Ok. E ao mesmo tempo todos sabem que é preciso investir muito, considerando o estágio do desenvolvimento que o país está. Ok. Como lidar com este impasse? Tornar o gasto eficiente! É um pensamento simples, racional, fluido. Aliás, só me resta uma pergunta a respeito deste assunto: “Quais são os métodos que serão utilizados para tornar o gasto eficiente?”. Revisão do orçamento, novas licitações, enfim... Existem várias maneiras de se executar essa promessa, e muito me interessaria ver um plano estruturado para que isso aconteça, pois somente a metáfora do carro não foi suficiente para me elucidar sobre o assunto (logicamente considerando a minha falta de visão mencionada no parágrafo acima relacionada a determinadas ações dos líderes políticos).
            Falando em gasto público, não sei se vocês viram a identificação, nessa semana, do mais novo sucessor da dinastia de Bragança em plena capital federal... Sim! Guido Mantega! O imperator declarou essa semana que o governo irá VETAR... Sim, VETAR qualquer proposta de salário mínimo por parte do legislativo diferente da proposta do governo... Aliás, temo que essa declaração não tenha reflexo no que foi a monarquia brasileira, e tenha mais pertinência se relacionada à casa dos Valois, ou mesmo à casa dos Bourbons... Inclusive, tratando sobre monarquias e impérios, tenho certeza de que se o governo Dilma fosse comparado ao governo de algum imperador romano, este encontraria similaridades com a época de Constantino, sendo que Lula é o “símbolo” o qual a governante deve seguir para vencer suas guerras!
            Aliás, prendendo-se ainda em gastos e gestão, durante a campanha eleitoral e nos primeiros pronunciamentos de Dilma e dos ministros, foram muito abordados os temas “Controle da Inflação”, “Investimentos em infra-estrutura” e “Estado Forte”. O que eu me pergunto é se esse mix de Ronald Reagan com Hugo Chávez dará certo... De fato, temos que observar.
            Para finalizar esse artigo (tendo em consideração os únicos dois fiéis leitores que me acompanharam até aqui), não poderia deixar de fazer uma citação, ao menos indireta, relacionada ao novo secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho. Ri muito essa semana quando li em um editorial do Estado de S. Paulo que ele é mais lulista do que o próprio Lula! E é verdade! E tendo em vista que eu desejo o melhor para o Brasil, não posso deixar de desejar muita, mas muita sorte à Dilma, pois jogar com o Pelé na reserva, meu amigo, não será uma tarefa fácil!

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